domingo, 28 de agosto de 2016

Todos difamam de longe, mas cara-a-cara, eles não têm nada a dizer.
Vou enterrar
minhas mãos 
em teu peito
pra ver se bate algo aí.
Certas palavras magoam, mas a gente não diz nada...
quanto mais te escrevo,
mais as palavras se bastam. 
[tu nem imagina
a bagunça 
que faz por aqui]
Me esquece devagar como se precisasse pensar em mim para a vida ser
um
pouco
menos
terrível.
eu sou tua
Sou tua num domingo ensolarado 
Numa segunda nublada
E numa semana chuvosa
Sou tua quando quero 
Quando tu quer 
Quando eu nem quero que você queira 
Sou tua no momento que você chega 
E continuo sendo tua quando se vai 
Sou tua naquela lanchonete onde costumamos ir 
Sou tua na cama 
No sofá 
Em qualquer lugar 
Então aproveita 
Porque eu nunca fui de ninguém 
Mas tua eu sou 
Você tá sendo humano com o outro humano? estamos sendo? o que cê tem pra me oferecer que não um problema? se eu contar uma piada marromenos, cê morre de rir comigo? se eu te disser que amo receber carinho do sol, você me coloca de cara para a maior estrela de todo o cosmos? eu queria que você entrasse dentro daquele carrinho de supermercado e me deixasse correr contigo. a gente se quebra e depois ri de nervoso, de desespero, de cumplicidade. se alguém quiser refastelar sua alma, qual material eu conseguirei colocar em mãos? qual sabor da sua fala? você consegue espirrar em mim uma esperança? eu consigo te fazer chorar de felicidade te contando da vez que me senti amado e que foi bom e durou uma eternidade dentro do tempo-espaço de 3 horas? se eu te disser que minha cantora favorita mudou de ontem pra hoje, como você reage? eu te compro um CD dela quando a grana entrar no meu bolso. a quem você oferece ombro sem cobrar nada em troca? quem faz cócegas na sua tristeza e tira ela para dançar? hum? você ainda se emociona lendo livros? quais e quantos são seus livros favoritos? quem te arrancou um sorriso da última vez que você se despiu e o sexo foi terno, manso? a quem você dirigiu perdão? ainda há a chance de reconciliação? você já humanizou um ser humano hoje? você já se humanizou? 
querer ser o que não é, é dolorido.
a flor quer ser gente
e a gente quer ser flor.
mas flor tem que ser ela
e a gente, a gente.
viver não querendo viver
não é viver.
morre antes de morrer.
morre por dentro.
morrer por dentro é algo muito triste.
é, talvez, o mais triste dos tristes.
é digno de pena,
da ave inteira.
morrer por dentro dói.
dor que não pode ser curada com chá ou dipirona.
dor que não passa.
dor que maltrata.
dor que destrói.
Você disse se eu tivesse vontade de te falar algo pra ti, era para eu falar logo, não esconder nada, ser um livro aberto. Só quero perguntar uma coisa, você topa? Topa sair comigo? Iremos no cinema ver aquele filme chato que você tanto falou, que não vamos ver pois estaremos ocupado se beijando. Você topa? Andar de mãos dadas comigo? Não ligue se ficarem nós olhando, eu não me importo. Você topa? Passar uma tarde de domingo sentados no sofá, jogando vídeo-game. Você topa? Assistir um filme de terror de madrugada, só para eu poder te abraçar e não soltar. Você topa? Fazer aquela viagem que a gente sempre sonhou, pode ser pra qualquer lugar, por um longo tempo ou só um dia, eu não ligo, só que seja com você. Você topa? Me sequestrar em um dia chuvoso qualquer, e correr na chuva. Você topa? Me dar a mão e ser feliz comigo?
— Então, você topa? 
Que haja futuro além de você e de "nós".
Eu desejo que tu encontre alguém que te ame o mesmo tanto que eu te amo, ou até mais, e espero que retribua. Espero que tu viva uma linda história de amor, os céus sabem que você merece. E desejo o mesmo pra mim. Embora hoje em dia eu não consiga me imaginar amando outro alguém do mesmo jeito que te amo, sei bem que o futuro é cheio de surpresas, e os céus (e eu) sabem o quanto mereço ser feliz também.
queria dizer que te esqueci completamente mas algo em mim ainda arde enquanto escuto all i want. hoje achei aquela nossa única foto e desconheci o sorriso em meu rosto. as vezes sinto falta de quem fui ao seu lado e o buraco no dentro de mim só aumenta. sei que sempre precisei de mais e que senti demais, mas não foi por egoísmo que quis ocupar teu peito inteiro. na verdade só queria ser metade do que você era pra mim. do que você é. porque ainda te tenho gravado por dentro, ainda arde essa falta e eu não criei coragem pra procurar alguém que ocupe seu lugar. é estranha essa sensação de que ninguém nunca vai me fazer sentir o que você fez e as vezes dá um medo, sabe? é que eu quero sentir o coração acelerar de novo, escrever versos pra outro alguém. mas minhas palavras ainda são suas e o vazio do meu peito também. o espaço em minha cama. as palmas das minhas mãos. meus abraços. e metade do meu chá morno toda noite. e tudo que você um dia tocou. essas paredes te amam tanto quanto eu. e a saudade machuca ambos. descascamos. desmoronamos. caímos. e de repente, não somos mais nada.
Esse texto não é sobre você
Esse texto é sobre a minha vontade de fazer as coisas darem certo. A gente nunca conseguiu se entender direito. Já nossos corpos parecem se conhecer há anos. Aquele dia lá em casa eu percebi que enquanto nossos corpos matavam a saudade as nossas almas estavam lá no canto tentando se entender. Eu sei que as coisas não são mais como eram só que a gente se apega tanto as coisas boas que podemos jurar de pé junto que o resto não importa. Mas, não é bem assim. Parece que algo em você não sabe como gostar de mim. Queria poder te desconhecer pra poder conhecer de novo e ter mais uma vez aquela sensação de que vai dar certo. O ponto, mesmo, que eu quero destacar aqui é: como pode dois corpos se entenderem tão bem dentre gemidos e suor enquanto as almas não conseguem nem falar a mesma língua?
[Todo mundo sabe que eu nunca fui a mocinha que luta por tudo, fã das causas impossíveis. Não entendo o que me faz insistir em nós.]
Nós ríamos, mas eu sangrava por dentro. Tua mão que hora tinha me confortado e lavado meus cabelos agora eram ásperas, andavam com todos e se afastavam de mim. Você no fundo sempre voltava, como se houvesse alguma obrigação, ou mesmo culpa. Eu me sentia um momento para seus dias de tédio. Mesmo estando cansada dessas posições que próprio me ponho, de nunca ser o todo, mas parte. Nós ríamos, mas eu arranhava por dentro e queria te dizer que o amor não pode ser adiado. Você coava o café e o grão ficava na minha garganta, mas eu calava, e a cada gole o arranhão crescia. Agora te olho, quanta coisa mudou em tão pouco tempo, como os brotos foram morrendo por falta da luz do sol. Você não mais raiou e chovi dentro de mim e molhei a terra seca. Enquanto ignorava suas palavras vazias, só me perguntava porque você abafou o amor? Porque o cheiro dele ainda está entranhado nas minhas mãos, enquanto as suas cheiravam a culpa. As mesmas mãos frias que eu segurei, o mesmo cinismo e olhar que agora se fecham diante de mim. Você tinha sido um faísca na minha vida que eu tentei manter acesa mesmo que me queimasse inteira. Você me dizia que estava com outra e eu não acreditava nas palavras. Essas mesmas letrinhas que escrevo, que me apodero, que abuso, como um patrão explora seu empregado. Essas letras doíam dentro de mim. Mesmo que eu te dissesse, ou dissesse pra mim mesma, como um diálogo surdo entre duas pessoas, uma no ponto de ônibus e a outra dentro do veículo. Eu gritava pela janela, tenho sentimentos, você não entende, não pode simplesmente enjoar de alguém e fingir que aquela pessoa não existe. Mas pela distância, pela individualidade da cidade, pelo transito, pela atenção a novos passageiros você não me ouvia.Eu te segurei no ar mesmo ferindo minhas asas. Nós ríamos, mas eu amava por dentro e você não. Permaneci ali no ponto do ônibus, no meio do nada, sem destino certo. Você seguiu como seguem os amores. Eu fiquei, como ficam os que amam. E o dia clareou, mas você nunca mais raiou em mim. E os brotos que havíamos plantado por dentro começaram a definhar, como o amor vai morrendo aos poucos sem precisar do revólver de Buk Jones. E eu me segurei e depois de ter lido tantas definições, e depois do sentimento cravar suas unhas de mulher, constatei, o amor é para os fortes.
E eu tinha tanta coisa que só faz sentido contar pra você, eu tinha tanta coisa pra falar. 
eu te vi meu fim, m. eu sangrei e me vi querendo te mostrar todas as contusões. te contar desses meus dias bostas que eu mal consigo levantar inteira da cama. que de manhã o frio não me chama pra dançar. e as cobertas cobrem ilusoriamente minhas hemorragias. mesmo sabendo que nada vai me livrar dos monstros. e que na verdade, eles me comem de dentro pra fora. eu vi meu fim. te vi. de novo de novo e de novo, quando você tentava me puxar pra perto feito uma concha e eu me encolhia não querendo ser uma mocinha indefesa que precisa de cuidados. porque eu não precisava. eu não precisava de alguém tentando me salvar da minha própria carnificina quando nem mesmo eu fazia isso. mas eu te quis ali. me vendo sem disfarces. sem humor ácido barato estúpido ou risadas não tão transparentes.
fica mais hoje.
fica
mais
mesmo que o ontem bata na tua porta. e o amanhã te faça querer enfiar o dedo na goela e me vomitar, até as minhas digitais na tua epiderme. eu não sou expert em matéria de fazer morada. eu deixo o café esfriar e depois tenho que colocar na panela e esquentar de novo. e não, isso não é uma metáfora que eu vá deixar a gente diluir em banho maria. quer dizer que eu sou atrapalhada. que eu tropeço em mim mesma as vezes. e tampouco sei se tô indo bem. mas anda devagar, vai, ou finge que ta indo rápido, só que contando os passos, e olhando de canto de olho esperando meus pés te alcançarem antes de chegar no portão. eu quero te enxergar além do céu da boca. abraçar teu inferno astral, e acolher. te suturar nas minhas veias